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Recuo no crédito para máquinas acende alerta no agro

Financiamento de investimento caiu no Plano Safra 2025/2026, com retração mais forte no Moderfrota. Para o banker, o dado sinaliza cautela do produtor, seletividade bancária e necessidade de recalibrar risco no crédito rural.

A desaceleração do investimento em máquinas agrícolas virou um dos sinais mais relevantes da safra 2025/2026 para bancos, cooperativas e distribuidores de crédito rural. De julho de 2025 a abril de 2026, o crédito rural empresarial somou R$ 391,2 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo período da safra anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O ponto crítico está no investimento: a modalidade recuou 29%, de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões, com queda de 54% no Moderfrota. 

O Moderfrota, Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras, financia tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e equipamentos para beneficiamento de café. No ano agrícola 2025/2026, o programa atende produtores rurais e cooperativas com renda ou receita operacional bruta anual de até R$ 45 milhões. 

As condições ajudam a explicar a perda de tração. A Circular SUP/ADIG nº 73/2025 do BNDES fixou taxa efetiva de até 12,5% ao ano para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e de até 13,5% ao ano para os demais produtores e cooperativas elegíveis. Os prazos chegam a sete anos para itens novos e quatro anos para usados.

O paradoxo é que a safra física segue forte. Em abril de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou produção de 348,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2026, alta de 0,7% frente a 2025. A soja foi projetada em 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do instituto. 

  • Julho de 2025 a abril de 2026: crédito rural empresarial de R$ 391,2 bilhões, queda de 5% ante igual intervalo da safra anterior.

  • Julho de 2025 a abril de 2026: crédito de investimento caiu 29%, de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões.

  • Julho de 2025 a abril de 2026: Moderfrota recuou 54%, maior sinal de cautela na renovação de máquinas agrícolas.

  • Plano Safra 2025/2026: agricultura empresarial recebeu programação de R$ 516,2 bilhões, sendo R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimentos. 

  • Abril de 2026: IBGE projetou safra de grãos de 348,7 milhões de toneladas, com área a colher de 83,3 milhões de hectares.

Para o banker, a queda no crédito para máquinas não deve ser lida como fraqueza linear do agro. A produção segue elevada, mas o produtor está mais seletivo em CAPEX, especialmente quando a taxa de financiamento compete com margens pressionadas, risco climático, custo de insumos, seguro, logística e volatilidade de preços. O trator financiado deixou de ser apenas ativo produtivo e voltou a ser decisão de balanço.

Na prática, a conversa consultiva precisa sair do “trocar máquina” e entrar em fluxo de caixa, garantia, janela de plantio, produtividade marginal e capacidade de pagamento. Em bancos e cooperativas, a queda do Moderfrota exige mais granularidade por cultura, região, safra e perfil de produtor. Para Bankers Experts IBV, maturidade técnica significa identificar quando o produtor precisa de investimento produtivo, quando precisa preservar caixa e quando a melhor operação é alongar passivo antes de financiar novo equipamento.

O próximo dado oficial relevante será a divulgação do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio de 2026, prevista pelo IBGE para 11 de junho de 2026. No crédito, o acompanhamento deve mirar o fechamento do Plano Safra 2025/2026, em junho, e a formulação do Plano Safra 2026/2027, que indicará se juros, equalização e apetite dos agentes financeiros serão suficientes para reativar o investimento em máquinas. 

Fontes oficiais consultadas

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Crédito rural empresarial atinge R$ 391,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026. 15 de maio de 2026.

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Plano Safra 2025/2026. Consulta em 22 de maio de 2026.

  • BNDES. Moderfrota, Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras. Consulta em 22 de maio de 2026.

  • BNDES. Circular SUP/ADIG nº 73/2025, Moderfrota Ano Agrícola 2025/2026. 11 de julho de 2025.

  • IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, estimativa de abril de 2026. 14 de maio de 2026.

Redação IBV. Instituto Bancário de Valor.
Somos o presente, formamos o futuro.
posibv.com.br

 |  Vitoria Freire  |  Agronegócio

Financiamento de investimento caiu no Plano Safra 2025/2026, com retração mais forte no Moderfrota. Para o banker, o dado sinaliza cautela do produtor, seletividade bancária e necessidade de recalibrar risco no crédito rural.

A desaceleração do investimento em máquinas agrícolas virou um dos sinais mais relevantes da safra 2025/2026 para bancos, cooperativas e distribuidores de crédito rural. De julho de 2025 a abril de 2026, o crédito rural empresarial somou R$ 391,2 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo período da safra anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O ponto crítico está no investimento: a modalidade recuou 29%, de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões, com queda de 54% no Moderfrota. 

O Moderfrota, Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras, financia tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e equipamentos para beneficiamento de café. No ano agrícola 2025/2026, o programa atende produtores rurais e cooperativas com renda ou receita operacional bruta anual de até R$ 45 milhões. 

As condições ajudam a explicar a perda de tração. A Circular SUP/ADIG nº 73/2025 do BNDES fixou taxa efetiva de até 12,5% ao ano para produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e de até 13,5% ao ano para os demais produtores e cooperativas elegíveis. Os prazos chegam a sete anos para itens novos e quatro anos para usados.

O paradoxo é que a safra física segue forte. Em abril de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou produção de 348,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2026, alta de 0,7% frente a 2025. A soja foi projetada em 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do instituto. 

  • Julho de 2025 a abril de 2026: crédito rural empresarial de R$ 391,2 bilhões, queda de 5% ante igual intervalo da safra anterior.

  • Julho de 2025 a abril de 2026: crédito de investimento caiu 29%, de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões.

  • Julho de 2025 a abril de 2026: Moderfrota recuou 54%, maior sinal de cautela na renovação de máquinas agrícolas.

  • Plano Safra 2025/2026: agricultura empresarial recebeu programação de R$ 516,2 bilhões, sendo R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimentos. 

  • Abril de 2026: IBGE projetou safra de grãos de 348,7 milhões de toneladas, com área a colher de 83,3 milhões de hectares.

Para o banker, a queda no crédito para máquinas não deve ser lida como fraqueza linear do agro. A produção segue elevada, mas o produtor está mais seletivo em CAPEX, especialmente quando a taxa de financiamento compete com margens pressionadas, risco climático, custo de insumos, seguro, logística e volatilidade de preços. O trator financiado deixou de ser apenas ativo produtivo e voltou a ser decisão de balanço.

Na prática, a conversa consultiva precisa sair do “trocar máquina” e entrar em fluxo de caixa, garantia, janela de plantio, produtividade marginal e capacidade de pagamento. Em bancos e cooperativas, a queda do Moderfrota exige mais granularidade por cultura, região, safra e perfil de produtor. Para Bankers Experts IBV, maturidade técnica significa identificar quando o produtor precisa de investimento produtivo, quando precisa preservar caixa e quando a melhor operação é alongar passivo antes de financiar novo equipamento.

O próximo dado oficial relevante será a divulgação do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio de 2026, prevista pelo IBGE para 11 de junho de 2026. No crédito, o acompanhamento deve mirar o fechamento do Plano Safra 2025/2026, em junho, e a formulação do Plano Safra 2026/2027, que indicará se juros, equalização e apetite dos agentes financeiros serão suficientes para reativar o investimento em máquinas. 

Fontes oficiais consultadas

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Crédito rural empresarial atinge R$ 391,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026. 15 de maio de 2026.

  • Ministério da Agricultura e Pecuária. Plano Safra 2025/2026. Consulta em 22 de maio de 2026.

  • BNDES. Moderfrota, Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras. Consulta em 22 de maio de 2026.

  • BNDES. Circular SUP/ADIG nº 73/2025, Moderfrota Ano Agrícola 2025/2026. 11 de julho de 2025.

  • IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, estimativa de abril de 2026. 14 de maio de 2026.

Redação IBV. Instituto Bancário de Valor.
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